We Are The Web
0 Comments »Em agosto de 2005, um artigo de Kevin Kelly publicado na revista Wired se transformou num marco da internet. O texto era um relato da experiência de muitos anos de testemunho da evolução da tecnologia, mas era também um prenúncio em tom ironicamente profético sobre o que estamos vivendo e, sem dúvida, sobre o que viveremos. We are the web fala da revolução econômica, polÃtica e sócio-cultural que a internet foi e que ainda será.
A idéia de um sistema baseado em links foi concebida em 1945 pelo pioneiro Vannevar Bush. Mas foi Ted Nelson quem realmente enxergou o potencial de um esquema que organizasse todo o conhecimento da Humanidade. 1995 foi o ano que esta utopia começou a se concretizar. A oferta pública da Netscape bateu recorde e fechou o dia com 75 dólares per-share, o maior Ãndice que uma companhia já conseguiu no primeiro dia.
Somente em maio de 1995 a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos, havia mudado a forma como encarava a internet. Até então, a web privilegiava interesses acadêmicos e pesquisa, não sites comerciais. Para a maioria das pessoas, a internet ainda era algo distante, inflexÃvel e sem futuro. Ninguém acreditava sequer que um dia os usuários poderiam produzir conteúdo. A revista Newsweek resumiu o cetismo geral com a manchete: “The Internet? Bah!”, onde o crÃtico Cliff Stoll caracterizou a rede com a palavra “bobagem”. A valorização da Netscape foi uma ruptura. A partir deste momento a internet não era mais a mesma. Os mesmos crÃticos tiveram que se render à realidade e o mesmo Stoll, dez anos depois, gerenciava uma loja virtual.
Em 2005, o número total de páginas na internet já era de 600 milhões. Todo este conteúdo, o equivalente a 100 páginas por habitantes na Terra, não foi fruto de grandes fornecedores de conteúdo, como como acontece com a televisão ou o rádio. Tudo isso foi produzido por pessoas comuns, usuários que mantém blogs e páginas pessoas, na maioria das vezes por puro prazer. É essa energia de compartilhar e participar que move um sistema onde várias pessoas produzem uma enciclopédia, acessam grupos de discussão para os mais variados temas, programam em códigos abertos e testam versões beta. “Os hiperlinks trouxeram a possibilidade do usuário comentar, corrigir e aperfeiçoar qualquer mapa na web. A Cartografia passou de arte à democracia participativa”, observa Kelly.
E é nesta participação que estará o futuro da rede. Ninguém duvida que em pouco tempo qualquer um poderá escrever uma música, um livro e até codificar um programa. Os fluxos de informação em breve serão maiores do que a capacidade do cérebro humano para absorvê-los. A mudança para a próxima década envolve mais do que nossos sentidos, mas nossos corpos e nossas mentes.
A internet não vai mais depender de um desktop, os dispositivos na verdade serão irrevantes, uma vez que poderá ser acessada por telefone, laptop ou HDTV. A internet será um sistema global que que permite acessar qualquer tipo de dados de qualquer parte do mundo, como uma memória ou mesmo a própria identidade do usuário, ao ponto de que uma pessoa sem internet seja equivalente a um humano sem parte do cérebro.
Se a internet ou até os computadores eram ficção cientÃfica até pouco tempo, hoje ninguém duvida que eles vieram para ficar. Segundo Kelly, nós ainda estamos cegos frente ao milagre que está se desenvolvendo diante de nossos olhos. Os próximos anos virão para confirmar a evolução que temos vivido até o momento. Desde as ondas de rádio, as redes neurais embrionárias a uma interface colaborativa e finalmente uma ferramenta sensorial e cognitiva jamais vista. Até agora ele não errou.


